Foi com muita alegria e entusiasmo que eu recebi a notícia de que a nossa presidenta havia retirado a Bíblia e o crucifixo que adornavam a sua sala.
De início, eu pensei que os patuás estavam lá como mais um exemplo daquela insistência em manter-se símbolos religiosos em espaços públicos, mas aí uma funcionária disse que os adereços eram do ex-presidente e haviam sido retirados em razão da sua mudança. Desconheço se a presidenta colocará novos talismãs no seu gabinete.
Nessa questão há dois pontos que devem ser considerados, a laicidade do Estado e a liberdade religiosa.
Se somos mesmo um Estado laico, então devem ser banidas ostentações religiosas em locais de atividade estatal. Não é possível ser meio laico, assim como não é possível estar meio grávida ou ser meio virgem.
Por outro lado, é importante lembrar que é preciso respeitar a fé dos outros. Se a presidenta achar por bem manter um crucifixo em seu gabinete, sem problemas, mas o que não pode é o Estado manter um artigo religioso que ficará lá por padrão. Isso é ridículo, assim como é ridículo o argumento que apela para o “respeito às nossas raízes históricas”.
“Raízes históricas brasileiras” de verdade são, escravidão e tirania (aristotelicamente falando), mas ninguém pede, e nem deveria, a manutenção delas.
Em tempo, minha denominação religiosa não importa. O que importa é que estado e religião devem ficar separados e independentes. Quando eles se misturam, a coisa fede.