Eu devia ter feito esse post na semana passada. Li o livro em apenas 2 dias, embora ele seja o maior dos livros da série dos robôs (435 páginas).
O livro encerra a trilogia e é muito bom. Nele, ocorre a investigação da morte de um robô (é usado o termo roboticídio – tradução minha). Por trás disso, há toda uma trama envolvendo a possibilidade de uma nova leva de colonização interplanetária, e a definição de quem a executará, se a Terra ou os outros planetas (e ex-colônias).
Mais uma vez o foco é no detetive Elijah Baley e mais uma vez ele recebe a ajuda do robô Daneel Olivaw. Também há a colaboração de outro robô na equipe, R.Giskard. O final tem umas reviravoltas interessantes e eu achei o desfecho muito bom, mas fica difícil falar disso sem colocar spoilers. Então, partirei para outro ponto.
No post sobre o livro anterior (The Naked Sun), o Seco comentou sobre a série da Fundação (outro arco de histórias do Asimov muito famoso também). Eu ainda não li essas histórias, mas sei o suficiente para perceber que o final dessa Trilogia dos Robôs parece um prelúdio da Fundação. Como se fosse o passado remotíssimo e esquecido do nascimento daquele império no futuro.
Uma vez, li em algum lugar (realmente não lembro onde) uma crítica contra o Asimov e outros autores de ficção-científica alegando que, no fim da vida, eles teriam tentado juntar a sua obra, composta de histórias separadas, em um universo único e enorme. Algo meio Tolkiano, sabe?
Não sei da veracidade disso, mas esse último livro pareceu confirmar essa teoria. Originalmente, esses arcos de história e outros textos do Asimov seriam coisas distintas, como se ocorressem em universos diferentes. Não havia referências cruzadas, pelo menos não explícitas.
O livro anterior fora escrito nos anos 50. Esse último foi publicado só em 1983, muito tempo depois. E há uma diferença visível (além do aumento no número de páginas), ele parece se esforçar muito mais para colocar as obras num mesmo universo. Nos primeiros livros, não é dada a mesma atenção à questão da segunda colonização espacial. Deu a impressão de que ele queria deixar claro que “Olhem, esse é o esboço daquilo que virá a ser a Fundação.”
Além disso, há referências explícitas a outras outras histórias do autor. Na verdade são referências bem sutis, um personagem spacer, para argumentar, cita, em alguns momentos, lendas de origem terráquea que datariam dos primórdios da criação do cérebro positrônico, bem antes da primeira leva de colonização espacial.
Ele cita, por exemplo, um robô lendário que seria dotado de habilidades extraordinárias e de uma humanidade tão intensa que obviamente só poderia mesmo ser uma lenda. Nesse caso ele cita até o nome do robô, Andrew Martin, o personagem principal do “O Homem Bicentenário”. Aliás, eu acho essa história linda. Uma das coisas mais bonitas e interessantes que eu já vi. Não li o texto, mas vi o filme e achei ótimo.
Veja, é só um nome solto, e a citação não faz grande alteração na trama, parece ser apenas para dizer “Lembra daquela outra história? Então, ela existiu no passado desse universo, que aliás, é o mesmo, viu?”. Considerando que ele levou uns 30 anos para fazer essas citações, inexistentes nos livros anteriores, fica mesmo a impressão de um esforço posterior para unificar a obra. Questiono a necessidade disso, mas enfim, é uma questão menor.
O importante é que o livro é ótimo. Muito bom, mesmo. Recomendo a leitura .