Archive for the ‘Uncategorized’ category

“I´LL BE ALWAYS TOPLESS FOR YOU” – GÜNTHER

September 23rd, 2009

TOSCO!

Essa é a melhor definição para esse artista sueco chamado Günther (site oficial).

O cara tem umas músicas com uma batida Eurobeat (pense nas primeiras “As 7 melhores da Jovem Pan”). O diferencial é que o cara faz umas letras hipersexuadas, usa mullets, um bigodinho de cobrador e só aparece fazendo biquinho.

Veja esse exemplo de lirismo na bela e romântica canção em que ele se define:

G… gracious
U… uber-cozy
N… natural
T… toyboy
H… hero
E… enjoyable
R… romantic

Mmmh
Mmmmmmh

You’re the one
You’re the one
You’re the one
Uh, Huh!

I’m the mannnn
Give me your attention
you know who I am
You’re the man
irresistible attraction
you know what I am
you’re the man!

(…)

Música: I’m Your Man

Álbum: Pleasureman

O cara é muito bom! Ele virou mais um dos muitos modelos de comportamento que eu tenho. Num panteão que inclui gente do naipe de Seu Madruga, Paulo Vanzolini, Dr. House e vários outros.

Para terminar, houve recentemente uma questão legal envolvendo o Joe Satriani e o Coldplay, na qual estes foram acusados de plagiar aquele. Entretanto, achei um vídeo no youtube que esclarece a questão. O autor do vídeo fez um trabalho impecável e chega a sobrepor as músicas para mostrar a semelhança, que é tanta, que as duas músicas comparadas parecem ser uma só.

Vejam só:

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COMO QUEIMAR, E ESTRAÇALHAR, O SEU FILME NO LOCAL DE TRABALHO

September 23rd, 2009

Estou trabalhando. O que é uma novidade, e uma das razões para a interrupção do ritmo de postagens no blog.

Não que eu estivesse parado, eu até que estava trabalhando num bom ritmo, mas agora eu voltei a ter um trabalho mais tradicional, com horário, chefe que fica em cima e etc.

Faz pouco tempo que eu estou lá. Esse período tem sido interessantíssimo, por uma série de razões. Por exemplo, com relação ao TDAH. Desde o diagnóstico e início do tratamento esse é o primeiro emprego “tradicional” que eu tenho. Só esse ponto merece um post, mas o tema aqui é outro.

O que eu tenho notado, é que o meu “filtro mental” (o dispositivo interno que deveria regular a ligação entre aquilo que a minha cabeça cria e aquilo que a minha boca fala) tem andado meio frouxo, deixando passar algumas coisas que não deveriam ser ditas. E não só em ambiente de trabalho.

Aliando o ponto acima elencado com uma dose de azar e uma leve pitada de “falta de noçao aguda” (a.k.a. joselitagem), eu concluí que a minha moral no escritório já não é das melhores.

Usando meu lado analítico, resolvi enumerar algumas situações que poderiam ser evitadas, que resolvi transcrever para avisar outros estagiários incautos.

1 – Quando for almoçar com a sua chefe e outros colegas de trabalho, você não precisa não deve declarar o seu espanto ao notar que ela come muito pouco (quase que só folhas e mais alguns vegetais).

2 – Se a conversa do ponto anterior evoluir para um diálogo, não NUNCA/JAMAIS justifique o seu espanto com um argumento que termine em: “É que, poxa, você não é exatamente pequena né?”.Por mais que você tente, você não vai conseguir explicar que a sua frase não possuia nenhuma conotação adiposa, mas se referia apenas ao quão alta ou cavala a mulher em questão é.

3 – Se você cair na cilada do item anterior, não tente se explicar. Você só vai piorar a sua situação. (Acredite, “um mulherão beeem pegável” não é o tipo de elogio que fará a sua chefe gostar mais de você. Eu sei!) Esse tipo de saia justa é como m*, quanto mais você mexe, mais o negócio fede.

4 – Ainda com relação aos itens anteriores, se a sua chefe mencionar que o prato dela só tem saladas porque ela é vegetariana, não solte um “Poxa, sério? Coitada!” com a voz carregada de pesar, como se ele tivesse dito que tem um câncer terminal, ou algo do tipo.

5 – Quando for usar o banheiro do escritório, verifique a fechadura antes. Ficar trancado com a privada por quase 1 hora é muito queima-filme. Principalmente se a tia do café (uma baita escandalosa) vier bater na porta e verificar se há alguém morrendo no banheiro.

Por fim:

6 – Não cole esse calendário na parede da sua baia para acompanhar seus projetos.

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PARA O INFERNO E ALÉM

September 23rd, 2009

Minha moral não tem andado muito boa. Estou tentando umas combinações novas com o médico, vamos ver se melhora. Preciso registrar minhas impressões sobre a vida e tudo o mais agora que estou num vale depressivo para ler quando estiver melhor.

Será interessante.

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FAIL

September 9th, 2009

Hoje, o meu dia foi uma droga, meio perdido.

Para começar, eu perdi o horário hoje pela manhã (acabei voltando a dormir e acordei atrasado).

O meu trabalho teve um rendimento sofrível. Quase como um retardado resolvendo equações de 2° grau.

O pior foi que eu cometi alguns erros idiotas, que não deveriam ter passado. Eu revisei as petições várias vezes e achei que tinha corrigido tudo.

Não havia erros de Português (que poderiam ser perdoáveis), não havia erro de argumentação, nem no desenvolvimento das idéias, mas eu não vi um erro fatal. Eu coloquei o nome do cliente errado.

Eu não escrevi o nome do cliente com a grafia errada, eu coloquei o cliente errado (Era o “x” e eu coloquei o “y”), e em algumas partes o nome estava correto

Odeio quando isso acontece. Alguém que faz esse tipo de besteira não é confiável e todo o seu trabalho terá que ser revisto. Ou seja, ao invés de produzir, um funcionário assim ainda gera retrabalho para quem for revisar (ser babá).

Não, não estou fazendo tempestade em copo d’água. Não foi um erro. Nessas duas semanas, foram vários erros desse tipo.

Fazer esse tipo de coisa me frustra muito. Eu me sinto desatento, vacilão e mirim demais. Isso destrói a confiança dos outros (e a minha) em mim.

O pior é que a repetição desses vacilos faz eu consolidar a imagem de que estou num beco sem saída, de que esse comportamento irá se repetir para sempre. É desesperador, é frustrante.

Apesar de todos os conselhos da terapeuta e de terceiros(as) para eu focar nas realizações e nas conquistas, eu não consigo não me sentir mal.

Uma vez, disseram que eu não era uma opção para relacionamento porque eu não me desenvolvia, não avançava, não saía do lugar. Em dias como hoje, eu vejo que isso é verdade. E, Deus, como essa verdade dói!

PS.: A frase foi dita sobre mim, para um terceiro e era: “[eu cansei]Porque homens não amadurecem mesmo.”. Embora tenha sido usada a palavra “homens”, no plural, trata-se de uma referência direta a mim. Isso pôde ser aferido pelo contexto da frase. Não, não é um interpretação pessimista, é uma interpretação realista mesmo. Acredite, movido pela autopreservação do ego, eu tentei achar outra interpretação, mas o contexto (a conversa de onde veio a frase) não deixava possibilidade para nenhum outro entendimento.

PS2.: Estou me sentindo um lixo e estou deprimido demais, mas fiquem tranqüilos porque eu sei que é coisa do momento. Eu só preciso resistir aos impulsos suicidas e dias melhores virão. Eu já aprendi que por pior que estejamos hoje, dias melhores sempre vêm (apenas para serem sucedidos de dias ainda piores).

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PARA O INFINITO E ALÉM

August 21st, 2009

Uma curiosidade sobre mim, sempre foi a ausência de futuro. Ao longo da vida, eu nunca consegui vislumbrar a minha vida futura em termos realistas.

Em entrevistas de emprego, e estágio, a pergunta “Onde você se vê daqui a cinco anos?” sempre foi estranha para mim.

Logo cedo eu descobri que ninguém queria ouvir minhas respostas sinceras e o quanto elas queimavam meu filme. A minha mente honesta sempre me fez responder coisas como a grande pérola “Daqui a cinco anos? Sei lá, nem sei se vou estar vivo no fim da semana. Sem falar que isso é menos de 1/4 da minha vida!”.

Essa resposta veio devido à insistência da entrevistadora em obter uma resposta depois de eu ter dito “Não sei” duas vezes. Eu tinha 17 anos na época, e não, não consegui a vaga. (Aliás, há uma história muito boa sobre essa entrevista, mas ela vai virar um post próprio).

Enfim, depois de uma ou duas entrevistas, eu comecei a inventar. Onde eu me via em cinco anos? Na faculdade, depois era no mestrado, e depois com “expressivo desenvolvimento profissional e como referência na minha área de atuação” (Essa funcionou uma vez, mas eu desisti da vaga).

Veja que essas coisas não eram exatamente “mentiras”. Todas elas eram bem possíveis, e eu até achava que poderiam acontecer, mas se eu me via REALMENTE naquela situação em cinco anos, ou seu eu QUERIA aquilo a ponto de viabilizar, a resposta era NÃO!

A minha vida sempre andou sem rumo, comigo fazendo as coisas e vendo onde ia dar. Sempre fui frustrado por isso. Eu nunca tive um “projeto de vida” ao qual me apegar e no qual eu acreditasse.

Isso ainda não mudou, embora a experiência de vida tenha acabado com certas ilusões e deixado certas coisas claras  para mim. Por exemplo, eu não me vejo constituindo família e tendo filhos. Embora seja uma idéia que me agrade muito e que ainda seja possível (eu só tenho um pouco mais que um quarto de século de vida), hoje, eu não posso dizer que me acho uma pessoa adequada para isso.

Eu ainda não achei o meu sentido para a minha vida, mas pelo menos algo eu sei, pela primeira vez, nesses 26 anos de indústria vital, eu tenho um plano para 5 anos. Que eu aliás, já coloquei em execução.

É claro que ele é meio ambicioso e eu posso estar querendo dar um passo maior que as minhas pernas, mas se não fosse assim, eu não sentiria aquele comichão nos cojones que é característico de momentos que antecedem feitos épicos. Aquiles, Cipião e Napoleão, vocês sabem bem do que eu estou falando!

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E VIVA A VIOLÊNCIA EDUCACIONAL

August 20th, 2009

Ainda sobre o tema do post anterior, a violência na educação malaia, eu gostaria de falar mais algumas coisas.

Além da punição exemplar do moleque que foi forçado a fumar 42 cigarros e que era péssimo em matemática, o texto apresenta alguns outros exemplos da boa psicologia educacional malaia.

Por exemplo:

Em 2007, houve indignação junto à opinião pública da Malásia depois que uma professora obrigou quase 150 alunas a permanecer por uma hora dentro de um lago fétido e a passar a noite na chuva do lado de fora do dormitório, porque ninguém assumiu a culpa por entupir os canos dos banheiros.

Eu fico imaginando como seria “interessante” a punição para o caso, hipotético, de algumas alunas não identificadas fazerem um vídeo ou fotos eróticas com o uniforme da escola.

*/Ai, ai… como é bom ter um cérebro capaz de imaginar. Sinto pena das doninhas nessas horas./*

Além disso, segundo os correspondentes da BBC, uma forma comum de punição indisciplinar no país é o uso de bastões de junco cobertos com sal.

Para você ter uma idéia, imagine que, analogamente, seria como punir transgressões sexuais com uma enrabada feita por um bem dotado e “a seco” (talvez até com um pouco de areia).

Ah, caso você seja um defensor da pedagogia do oprimido, ou algo do tipo, e ache isso um absurdo sem tamanho, considere que praticamente TODOS os indicadores de educação da Malásia são melhores que os nossos aqui no Brasil.

Para conferir, dê uma olhada no site Nation Master, uma das coisas mais legais que achei na internet.

Fonte:

Estadao

Nation Master

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EXEMPLO DE EDUCAÇÃO

August 20th, 2009

Vi uma matéria no site do Estado de São Paulo, que apresentava uma situação de punição escolar exagerada.

Segundo a matéria, um bedel teria obrigado um aluno a fumar 42 cigarros pois encontraram tabaco e um isqueiro no armário do garoto de 16 anos. Dizem que a punição exagerada ocorreu porque o jovem, até então, era um exemplo de bom comportamento na escola.

Apesar desse sentimento de corno doído ser um bom motivador para a punição, a seguinte declaração do infrator deixou claro que o problema era outro:

“Fui forçado a fumar quatro cigarros por vez até chegar a 42″, disse o adolescente Mohd Alif Arifin, 16, ao jornal malaio New Straits Times.

O problema era que ele era péssimo em matemática. E quem não entendeu, deveria ser punido também.

fonte: estadao

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Adous Huxley X George Orwell

August 16th, 2009

Há uma semana, eu comentei com m amigo dessa tiriha aqui. Foi uma das coisas mais legais que eu já li (sério!).

Adous Huxley é o auto de “Admirável Mundo Novo” (“Bave New Word”) e George Orwell é o autor de 1984. Os dois livros tratam de um futuro com sociedades idealizadas onde a individualidade é esmagada.

Embora essa minha resenha possa colocar as duas obras lado a lado, os livros são muito diferentes. Cada autor constrói a sua sociedade futurista e utópica de formas diferentes, bem diferentes. Essa tirinha, coloca as idéias dos livros em confronto. O resultado final é ótimo.

Os dois livros são fantásticos e, se você ainda não leu, faça isso o quanto antes. São obras primas!

Huxley vs Orwell

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PRECISO ASSISTIR MAIS PORNÔ

August 14th, 2009

O título desse post é uma constatação. Preciso mesmo assistir a mais pornô e desfrutar do prazer auto-proporcionado que é consequência dele.

Por que eu concluí isso? Porque eu notei que preciso calejar minhas mãos e fortalecer meus pulsos. Bem, tudo começou assim…

Neste final de semana, vim para Taubaté, para o aniversário de parentes. Na sexta, hoje, acordei e não tinha nada de muito interessante para fazer. Eu trouxe trabalho, mas logo ao acordar, eu estava afim de fazer algo mais “ativo”.

Nessa hora, eu dei uma volta pela propriedade da minha prima e encontrei o cunhado dela podando a cerca viva. Como eu estava afim de uma atividade, ofereci-me para ajudar.

Já estava me sentindo mais macho com aquela oportunidade de trabalho braçal. O trabalho dignifica o homem, e eu ia dignificar aquelas plantas com um belo corte. Peguei a tesoura de jardineiro, já me sentindo o próprio cabeleireiro da mãe natureza. Um puro luxo de macho viril!

Já via a minha imagem, manejando com destreza a tesoura, dando uma repicada para diminuir o volume, aparando, ajeitando, e esculpindo cabritinhos na cerca. Afinal, qual seria a dificuldade de realizar uma poda? Certamente que nenhuma.

Agora, horas depois do feito, ficou óbvio para mim que certamente esse é o raciocínio de um imbecil que nunca fez uma poda na vida. Ou pelo menos nunca fez uma poda EM ÁRVORES com uma tesoura de jardineiro.

Os primeiros galhos foram fáceis, mas era uma caralhada de metros de cerca, e uma caralhada ainda maior de árvores. Alguns minutos depois eu comecei a sentir como a vida urbana amolece as pessoas.

Minhas mãos estão cheias de bolhas e meus pulsos estão doendo muito. Nem quando eu treinava quebramento no karatê eles doiam tanto.

O pior era que eu me empolgava e ia cortando. Nessa hora eu parava e pensava:

- Tá rendendo, devo ter andado vários metros.

Olhava para trás e via que tinha avançado só MEIO METRO.

Veja bem, eu não estou reclamando. Estou apenas compartilhando. Afinal, nessa atividade eu fiz exercício e relaxei a mente.

Aliás, é incrível como um trabalho braçal relaxa a cabeça da gente. Eu deveria seguir meus instintos e virar carpinteiro/construtor em um país de primeiro mundo (onde é possível ganhar dinheiro com isso).

Depois, veio a limpeza com o restelho, carregar a carretinha do trator (tinha MUITO galho quando a gente acabou), e levar o carregamento para desovar na floresta.

Primeiro, antes que digam, não é ecologicamente incorreto. Eram só galhos e folhas. O resto (garrafas, papéis, faixas, e outras porcarias que porcos jogam na beira da estrada) nós separamos para jogar no lixo.

Segundo, dirigir um trator é bem legal. O mais perto que eu cheguei da sensação de dirigir um carro monstro (conversível). É bem alto e todos os comandos (exceto a direção), são duros para kct. Sem falar que manobrar (na marcha ré) com aquela carretinha é bem complicado.

Enfim, valeu!

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UMA METÁFORA…

August 12th, 2009

Era de manhã quando o barulho dos freios denunciou a chegada da maria-fumaça à estação (como se a visão da coluna de vapor que emanava de sua chaminé já não fosse suficiente para apresentá-la desde antes da linha do horizonte).

Essa maria-fumaça era algo mais. Era algo além de obviedades. Era o próprio sucesso encarnado em metal e madeira. Num típico exemplo do que grandes escritores chamariam de “uma metáfora ruim” ou “uma imbecilidade”.

Enfim, comentários desnecessários a parte, todo aquele sucesso parecia ter chegado naquela estação que nada mais era do que a vida de uma determinada pessoa. Uma pessoa não muito original para criar metáforas, um pessoa que poderia embarcar naquela bem aventurança toda, se estivesse na plataforma para embarcar.

Ao contrário do que pode parecer, as chances não eram tão aleatórias. Na verdade, as chances para que aquele garoto pegasse aquele trem eram bem grandes.

Ele sabia o horário em que o trem chegaria. Fora avisado com bastante antecedência.

Com a mesma antecedência, recebera sua passagem com assento reservado. Ele não só teria direito a embarcar no sucesso, como ainda viajaria na primeira-classe, com todas as refeiçoes e todos bola-gato das belas atendentes que ele pudesse aguentar inclusos no pacote.

Ele também não chegou atrasado à estação, ao contrário do que ocorria em sua vida fora das metáforas em textos de auto-ajuda, ele chegou antecipadamente. Viu quando o ponto preto sob a enorme coluna de fumaça apareceu no horizonte. Viu a aproximação do trem até o momento em que seus ruídos ficaram bem nítidos. E foi então que aconteceu.

Sem qualquer chance de antecipação, aquele pobre desgraçado foi acometido de um desarranjo gastro-intestinal sem precedentes na literatura médica.

Desesperado, correu o mais rápido que sua situação permitia, e, mal chegou ao sanitário, aquilo, que chamarei carinhosamente de “chuva de chocolate” (para manter o lirismo), rompeu a resistência do seu terceiro olho, caindo em profusão naquele cubículo.

Tamanho feito, capaz de desesperar o mais heroico dos faxineiros de cinema pornô, além de criar uma lambança (que interditaria aquele estabelecimento pelos próximos meses), também sugou todos os recursos disponíveis daquele garoto, sua energia, seu vigor, sua vontade de viver e o seu tempo.

O trem esperou, por um tempo, mas depois se foi. Outros vieram e se foram, mas ele continuou naquele trono, recuperando seu fôlego e tentando se limpar para, só então, voltar a esperar pelo próximo trem na plataforma.

Ainda que as seqüelas, como o cheiro de fezes que não sai da pele ou as hemorróidas do tamanho de repolhos, denunciem seus apuros do passado, o garoto ficaria feliz por ter outra chance de sair daquela estação no meio do nada.

Nem precisaria ser na primeira classe e nem precisaria ser para algum destino específico.

Entretanto, hoje, ele só estaciona o pensamento nisso em lampejos rápidos. Ele está muito ocupado limpando aquilo que fez.

Depois disso, ele ainda ficará mais um bom tempo passando pomada para assaduras antes de pensar seriamente em sentar em um banco de trem (ou em qualquer outra coisa).

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