Parece que a humanidade falhou. Talvez seja hora de sairmos de cena e darmos lugar para as baratas. Quem sabe elas não se saiam melhor.
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2012, conto com você!
July 7th, 2011DO SOFRIMENTO HUMANO
June 26th, 2011Eu sempre pensei sobre os limites do sofrimento humano. Até onde uma pessoa aguenta antes de começar a enlouquecer ou a perder sua alma?
Esse nível extremo de sofrimento, onde alguém sucumbe completamente à dor abrindo mão de tudo que lhe define e sentindo o seu espírito ser despedaçado, só seria atingido com situações extremas. Hipóteses como ver o amor da sua vida ser devorado por fuinhas ensandecidas, sofrer uma doença crônica, dolorosa e incurável, levar uma facada no saco, depressão extrema ou ainda parir uma criança pelo pênis – via uretra.
Essas eram eram as situações em que, imaginava eu, uma pessoa sucumbiria e teria sua alma despedaçada, mas descobri que quebrar o espírito de alguém é muito mais fácil do que eu pensava. Vejam esse exemplo:
STF RECONHECE A UNIÃO HOMOAFETIVA
May 6th, 2011Foi uma unanimidade, 10×0 e uma abstenção do Ministro Dias Toffoli que se declarou impedido por ter atuado em um dos casos quando ainda era procurador geral.
Acompanhei o caso pois queria ver quais os argumentos que seriam usados para reconhecer ou negar a união estável para homossexuais.
Para negar eu imaginava que usaria-se uma leitura explícita do art. 226 §3º que diz que seria o argumento mais fácil. O que me dava um certo receio era que argumentos religiosos fossem usados (e levados a sério).
A CNBB (que de todos os amici curiae tinha o representante mais eloqüente) não foi por essa linha religiosa e usou o argumento de interpretação literal e restrita do art.226,§3-CF.
Agora o que foi bizarro mesmo foi a manifestação do representante da Associação Educacional Eduardo Banks (os mesmos caras que já apresentaram um Projeto de Lei para indenizar descendentes de donos de escravos lesados com a abolição). Mano aquele cara, além de péssimo orador, usou apenas argumentos religiosos. Muito fraquinho!
Pelo menos nenhum ministro do STF aceitou isso, e vários aproveitaram para argumentar contra o uso de religião em assuntos estatais. Algo lindo de se ouvir.
Lindos também foram os votos dos ministros. Vários argumentos legais, lógicos e racionais, envolvendo direitos fundamentais e princípios constitucionais.
Houve escorregadelas como o Cesar de Mello dizer que o Código Penal Militar (CPM) é especialmente severo contra a prática da pederastia (art. 235), o que não é verdade pois a expressão “ato libidinoso, homossexual ou não” deixa claro que qualquer prática de ato libidinoso será punida naqueles termos, qualquer que seja a sua orientação sexual.
Ou ainda quando o Marco Aurélio falou algumas asneiras sobre a teoria de Kelsen. Foi aquela velha crítica de que a falta de moral na teoria de Kelsen levaria a abusos como o nazismo. Típica coisa de quem não leu Kelsen.
Recomendo a leitura dos votos não apenas pelos argumentos jurídicos, mas pelos argumentos pró-tolerância.
Há duas falas de ministros que eu gostaria de deixar aqui:
“Aqui, o reino é da igualdade absoluta, pois não se pode alegar que os heteroafetivos perdem se os homoafetivos ganham. Quem ganha com a equiparação postulada pelos homoafetivos? Os homoafetivos, muito bem. E quem perde? Ninguém perde. Os heteroafetivos não perdem e a sociedade não perde” – Ministro Ayres Brito
“Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes.” – Ministra Hellen Gracie
Estou orgulhoso da nossa corte constitucional.
SOBRE O CRUCIFIXO DA DILMA
January 11th, 2011Foi com muita alegria e entusiasmo que eu recebi a notícia de que a nossa presidenta havia retirado a Bíblia e o crucifixo que adornavam a sua sala.
De início, eu pensei que os patuás estavam lá como mais um exemplo daquela insistência em manter-se símbolos religiosos em espaços públicos, mas aí uma funcionária disse que os adereços eram do ex-presidente e haviam sido retirados em razão da sua mudança. Desconheço se a presidenta colocará novos talismãs no seu gabinete.
Nessa questão há dois pontos que devem ser considerados, a laicidade do Estado e a liberdade religiosa.
Se somos mesmo um Estado laico, então devem ser banidas ostentações religiosas em locais de atividade estatal. Não é possível ser meio laico, assim como não é possível estar meio grávida ou ser meio virgem.
Por outro lado, é importante lembrar que é preciso respeitar a fé dos outros. Se a presidenta achar por bem manter um crucifixo em seu gabinete, sem problemas, mas o que não pode é o Estado manter um artigo religioso que ficará lá por padrão. Isso é ridículo, assim como é ridículo o argumento que apela para o “respeito às nossas raízes históricas”.
“Raízes históricas brasileiras” de verdade são, escravidão e tirania (aristotelicamente falando), mas ninguém pede, e nem deveria, a manutenção delas.
Em tempo, minha denominação religiosa não importa. O que importa é que estado e religião devem ficar separados e independentes. Quando eles se misturam, a coisa fede.
BRINQUEDOS DE GENTE GRANDE
June 23rd, 2010Recentemente, comecei a receber um extra por produtividade no trabalho. Já consegui um aumento legal nesse mês.
Pois bem, é na hora de gastar esse dinheirinho extra que se revela muito sobre as pessoas e sobre suas prioridades.
Por exemplo, eu poderia ter usado essa grana para pagar uma cama nova (ou ao menos uma parcela) ou um guarda-roupa, bens que precisarei para o mês que vem. Poderia ter investido em ações. Poderia, ter economizado para tempos futuros.
Mas então, enquanto pensava nas opções, recebi um email do ThinkGeek avisando que um produto que eu queria, e que estava indisponível há muito tempo. Foi covardia deles arrebatarem meus desejos e interesses assim. Fiquei sem defesa.
Imagine que a minha cabeça fosse um aquário e meus pensamentos para o meu dinheiro extra fossem peixes de diferentes tipos e tamanhos. O que o pessoal do ThinkGeek fez, basicamente, foi fazer uma pescaria com dinamite. Pura covardia!
Ou seja, ao invés de investimentos, bens necessários, ou capitalização para emergências, meu dinheiro foi usado para dar-me um presente: pantufas… de coelhinho.
Ridículo? Espere, não é qualquer coelhinho. Lembra do coelhinho carnívoro do Monty Phyton e o Cálice Sagrado? O Coelho de Caerbannog?
Então, veja se não é o pé mais estiloso que você já viu:
MALDITA INSÔNIA
June 17th, 2010Insônia, um dos muitos demônios que me assombram. Ela estava quita e tranquila, mas nas últimas semanas, voltou com a corda toda e isso tem sido desgastante.

photo credit: toastforbrekkie
O processo é mais ou menos assim, eu passo dias, ou semanas, dormindo pouco (3h ou 4h por noite). Isso vai debilitando minha reserva energética até o meu total esgotamento. Quando o fim dessas reservas acontece (normalmente em finais de semana), eu desabo e durmo muito mais do que o normal (algo como 12h ou mais).
Ao contrário de outros demônios que também me assolam, mas são muito mais destrutivos e exigem vigilância permanente, a insônia possui algo de positivo: Eu uso as horas em que ela atua para momentos de “esponja de conhecimento”. Navego pela internet e, com um “empurrãozinho” do TDAH, aumento “o meu conhecimento desconhecido, composto dum grande conjunto inútil de pequenas coisas úteis e práticas, mas sem qualquer aplicação imediata na minha vida prática” (preciso fazer um post só sobre isso).
É esse conhecimento que faz eu ser convidado para conversas de boteco ou outros eventos em que um vasto, porém inútil, conhecimento é valorizado. O grande problema, é que eu estou virando um homenzinho (finalmente) e na vida adulta essa característica de ser interessante, mas inútil, não é algo desejável. Eu preciso ter energia, e tempo, para dedicar-me às coisas realmente importantes, como o meu trabalho e os meus estudos. O que é meio difícil quando se passa noites em claro pesquisando métodos de ourivesaria e construção de forjas, por exemplo. Eu termino como eu estou me sentindo hoje, um bagaço.
Então, é hora de resolver isso de uma vez por todas. Pelo menos, ao contrário das doenças e transtornos psiquiátricos, eu creio que a minha insônia não é um grande mal, ou pelo menos não é um mal tão grande. Ela parece mais um mal-hábito, que decorre (em parte) de outras coisas (como os grandes males aos quais me referi anteriormente). E a experiência demonstra que ela pode ser controlada. É isso que farei (eu espero).
I AM LEGEND – Richard Matheson
April 8th, 2010Mais um lido. Esse livro foi emprestado pelo amigo Tygre. Embora a capa tenha o título “I am legend”, essa é apenas a maior das muitas estórias que estão contidas no volume.
Para quem não sabe, foi esse texto que inspirou o filme “Eu sou a lenda” com o Will Smith. Inspirou e só! A estória do livro é muito diferente do filme. Eu achei o livro bem melhor, mas fica difícil comentar sem colocar spoilers.
Quanto aos outros textos, alguns são muito curtos e um ou outro é meio bobo (como Burried Talents), mas no geral são bem legais para quem gosta do gênero terror. Quase todos os textos envolvem fantasmas, vampiros, bruxarias ou algo do sobrenatural. Esse autor é muito bom.
Recomendado!
EM BUSCA DA FELICIDADE
March 21st, 2010Eu estou em Porto Velho – RO para tentar a sorte em um concurso.
Eu não acredito nesse negócio de “dar sorte” em concursos. Existe estudo e competência, mas não existe “sorte” em concurso (ou existe, mas ela é proporcional aos estudos do candidato). Pode existir maracutaia, que é a sorte dos pilantras.
Quem diz que passou com sorte está mentindo. Ou a pessoa ralou de estudar, ou fraudou a prova.
Eu confesso que não estudei o suficiente, mas vamos ver no que dá. Pelo menos aproveito para conhecer a cidade.
DO AZAR E DA FALTA DELE
March 21st, 2010Eu não boto muita fé em sorte. Para mim, a sorte é algo criado pelo homem para dar sentido ao universo. É uma questão meramente de fé, uma fé equivocada, diga-se de passagem.
Claro que alguém pode citar um ganhador de loteria, ou a própria tia-avó que ganhou no bingo da paróquia, mas provarei aqui que não se trata de sorte.
Tampouco falarei de algum segredo que se espalha aos quatro ventos (não sendo, portanto, segredo algum, mas descarada lorota).
Acontece que o que temos no mundo é azar. O mundo, é um lugar bom. Talvez não seja bom para mim ou para você, mas se pudéssemos ver o “grande plano”, veríamos que tudo se inclina para o lado do bem. Ainda que seja o bem que a sua carcaça causará aos vermes do eco-sistema local depois que você experimentar o sofrimento de uma morte lenta e dolorosa, por exemplo.
Assim, não poderíamos falar na interferência de algo (sorte) para que ocorra algo bom. Algo bom acontecerá se os eventos não sofrerem interferência.
O que acontece é o azar, ou a falta dele. O ganhador da loteria só não teve o azar de que outros números fossem sorteados (o que demonstra uma quase que total falta de azar).
Quem passa no vestibular, não teve sorte, ele só estudou muito e não teve o azar de sofrer uma caganeira severa no dia da prova.
Acredite, se Deus interferir na sua sua vida especificamente, será para trazer sofrimento e desgraça. Duvida? Pergunte para Jó.
Aos crentes que acharem que eu estou errado, fiquem com a possibilidade de que o mundo é normalmente ruim, que a vida é essencialmente má e que precisamos de intervenções pontuais do Criador para atenuar isso, ainda que isso atrapalhe o desenrolar natural do “grande plano” com consequências para os outros.
Eu prefiro acreditar que o mundo é um lugar fantástico e que o ser-humano possuí um potencial infinito para o bem, característica essa que floresce na ausência do mal(e do azar).
Resumindo, apenas faça a sua parte e coisas boas acontecerão. Se for rezar, peça apenas “Senhor, fique fora do caminho, por favor.”
