Algumas vezes, é bom o mundo se mostrar um lugar pequeno. Sabe quando, contrariando todas as expectativas, você descobre pessoas cujo círculo social se intersecta com o seu? É nesses momentos em que a verdade tem uma chance de vir à tona. Semana passada, ocorreu-me um desses momentos.
Resumindo a história, apenas para contextualizar, há alguns anos, eu passei por uma fase de merda na minha vida. Várias desgraças pessoais aconteceram num espaço relativamente curto de tempo (não vou falar disso aqui, mas basta saber que foi mesmo uma época ruim).
Na época, eu namorava, e o relacionamento terminou também nessa época.
Na época, eu achava que ela era alguém com quem eu poderia me abrir.
Na época, eu achava que ela não exporia minha intimidade por aí, mas apenas para garantir eu pedi isso expressamente.
Na época, eu era trouxa. E só descobri isso semana passada, numa mesa de bar.
Conversando com uma pessoa que tem conhecidos em comum comigo e com ela, descobri, que o meu filme anda bem queimado por aí. E justamente as partes da minha vida que eu não gostaria de forma alguma que fossem a público, foram, nãos apenas divulgadas, mas usadas para fazer troça de mim.
Na época, eu estava iniciando o tratamento médico para uns problemas médicos (nada relacionado à disfunção erétil, sinto desapontá-los). Que isso impactou o relacionamento e causou, ou pelo menos colaborou muito, para o seu fim na época, eu não tenho dúvidas, mas eu jamais imaginei que ela divulgaria isso para as suas amiguinhas e nem que faria piadinhas com a minha situação.
O pedido de sigilo nem era tácito, mas explícito. Num dos nossos últimos encontros, eu cheguei a pedir expressamente que ela não falasse dos meus problemas médicos para ninguém (Isso era um tabu, para mim). Além disso, era uma situação médica, real, diagnosticada e tratável. Se ela espalhasse, ou até fizesse piadinhas sobre o fato de eu ser, supostamente, feio, chato, bobo, imaturo, ruim de cama e etc; tudo bem. É a vida! Agora, tirar sarro de problemas médicos? Até para a filha da putagem humana há um limite.
Algumas pessoas que souberam do ocorrido, ou estavam lá no bar, levantaram dúvidas sobre a confiabilidade da fonte, e, a hipótese de que tenha havido ruído na comunicação já que a informação chegou a mim por meio de fontes indiretas. Sim, concordo que isso deva ser considerado, mas ficou claro que, mesmo descontando muita coisa, ainda assim informações sobre meus problemas pessoais foram ventiladas indevidamente.
Assim, a dúvida é se ela perdeu MUITOS pontos comigo (se eu considerar que tudo o que eu fiquei sabendo procede), ou se ela perdeu ALGUNS pontos comigo (se eu desconsiderar muita coisa).
Em termos mais claros, a questão é se ela é uma “tremenda megera, filha da puta e desgraçada de merda”, ou se ela é só uma “filha da puta desprezível” (com todo respeito à mãe dela que sempre foi gente-boa comigo).
Apenas para esclarecer, não se trata de ódio mortal, nem buscarei vingança ou algo do tipo. Não é da minha natureza. Até porque, eu estou convencido de que o verdadeiro responsável sou eu mesmo (isso sim é da minha natureza.
)
Quando eu descobri que alguém em quem eu confiava, uma das poucas pessoas com quem eu tentei me abrir e falar dos meus problemas na época, traindo o sigilo, não só esperado, mas expressamente requisitado, violou a minha confiança dessa maneira, eu me senti envergonhado, humilhado, desamparado e traído, mas mais do que isso, eu me senti bem burro. Burro por não ter previsto isso.
Fica a lição.
PS: O post não foi adequadamente revisado.