Depois de encerrar o trabalho com a droga da monografia, retomei as leituras “legais”.
Esse livro, é o segundo da chamada “trilogia dos robôs” do Asimov. Eu gosto desse autor desde que o meu pai me deu uma coletânea de contos de ficção-científica organizada por ele, o Asimov, quando eu era criança.
Depois de ter lido o ótimo The Caves of Stell, comprei os outros dois livros da trilogia na primeira oportunidade (leia-se quando um amigo foi para fora e pôde trazer os livros para mim. O frete da Amazon para o Brasil era uma pequena fortuna.).
Os três livros da série dos robôs são romances policiais centrados em dois personagens o detetive Elijah Baley e o robô R. Daneel Olivaw. Tipo um Sherlock Holmes e seu escudeiro Watson, mas nesse caso o Watson seria super-forte, super-inteligente e mega-lógico e não precisa comer, dormir ou fornicar.
Como eu não fiz uma resenha do primeiro, farei um dois em um aqui. O primeiro livro se passa na Terra, onde teria ocorrido o assassinato de um Spacer (alguém natural de outro planeta, mas humano). O detetive Baley é designado e ele deve trabalhar com o R. Daneel (R. no caso é usado para designar o Robot), feito à imagem e semelhança do assassinado.
A história é cheia de reviravoltas e essas coisas existentes em romances policiais. Além disso existe a situação diplomática tensa entre a Terra e as ex-colônias espaciais que agora subjulgavam o planeta. Eu achei muito legal e os personagens e mistérios eram muito bem desenvolvidos.
No segundo livro, The Naked Sun, o detetive Baley é chamado para investigar outro assassinato, mas dessa vez em um outro planeta, Solaria, onde há uma enorme quantidade de robôs e poucos humanos, que evitam contato uns com os outros (algo numa proporção de 10.000 robôs para 1 humano).
Para trabalhar com ele, é designado o R.Daneel outra vez. Existe toda uma filosofada sobre o problema do excesso de robôs e desumanização daquela sociedade. Tão legal quanto o primeiro, mas agora, anos depois eu fiquei mais um pouco mais chato para com certas coisas.
Por exemplo, é mencionado que cada solariano vive sozinho em uma enorme propriedade particular. Para servi-lo, há uma infinidade de robôs. Esses robôs executam todas as tarefas domésticas. De regular o termostato a fazer a comida. Bom, acho que a quantidade de robôs poderia ser diminuída se a casa em si fosse dotada de alguma inteligência.
E mais, o controle de conversações tridimensionais é dito como tendo controles extremamente complexos. Por isso um robô controla a máquina. Ou seja os controles exigem intervenção mecânica, uma mão girando um botão, por exemplo. Não seria mais fácil usar uma interface eletrônica. Como temos hoje em máquinas onde, ao invés de se girar um botão para regular o volume, isso é feito automaticamente com circuitos digitais.
Pode parecer chatice, mas esse tipo de contra-senso tecnológico me irrita um pouco (igual à realização de um transplante de coração em plena zona de guerra no Terminator 4). Se temos isso hoje em dia, por que um futuro com tecnologia tão avançada não usaria algo tão óbvio? Aliás, é dada a impressão de que as únicas máquinas ‘inteligentes” são os robôs. Em nenhum momento é mencionado algo como um computador dos dias de hoje, por exemplo.
Tudo bem que o livro é de 1956, bem antes da popularização da micro informática, mas meu lado nerd ficou incomodado mesmo assim.
Por outro lado, o livro define a existência de uma internet wi-fi ligando todos os robôs do planeta. Algo criativo para alguém dos anos 50.
Fora esses pequenos deslizes, o livro é ótimo. Valem os mesmos elogios do primeiro livro da série. A história é criativa e a trama, assim como os personagens, são complexos e muito bem construídos. E do ponto ficção-científica, o autor fez previsões tecnológicas muito interessantes.
Até agora, o Asimov não me decepcionou. O próximo será o último da trilogia dos robôs, The Robots of Dawn. No futuro, pretendo ler a série da Fundação também, que é uma obra mais épica dele.
Por fim, apesar de todos os elogios e itens interessantes da obra, eu confesso que o mais marcante, o que certamente ficará na minha cabeça é uma frase dita pelo superior do Baley logo depois que este fez uma observação muito perspicaz e profunda:
“Plainclothesman, you’re a man of penetration.”
cara, eu já li a fundação, vale à pena. acho que vc fique irritado com algumas armadilhas tecnológicas que ele cai… algumas forçações de barra muito pouco criativas… mas é muuuuuito legal. A idéia principal é muito legal.