Se há algo que me assusta, é chegar na última cartela de medicamento. Não, não é nada que dê algum barato, ou que interfira no meu humor, como um anti-depressivo, ou um estabilizador de humor. A medicação é um estimulante para certas áreas do cérebro. Na prática, ele mantém o meu TDAH sob controle, permitindo que eu faça coisas cotidianas com alguma disciplina.
Não que eu seja dependente do remédio, como um dependente químico, eu apenas preciso dele, como um míope precisa de óculos. Sem ele, eu não fico mau, eu só fico normal. O problema é que o meu normal é pior que mau, é péssimo.
Hoje, eu comecei a usar a última cartela, que ainda vai durar até o final da semana, mas só poderei pegar uma nova receita quinta-feira ou depois, e isso não me deixa com muita folga para imprevistos.
Agora, depois de anos de terapia, esforços e medicação, quando eu finalmente aprendi a ter um certo controle sobre a minha vida, essa imprevisibilidade, especificamente ESSA imprevisibilidade, assusta um pouco.
